Engajamento dos jovens em práticas agrícolas foi pauta de webinar promovido pelo IBRAF com participação da FAO, WFP e União Africana
29 de maio de 2020

Webinar do IBRAF discutiu o cenário, os desafios e as tendências para o comércio internacional no pós-pandemia

O Instituto Brasil África (IBRAF) reuniu especialistas para discutir o cenário econômico no período de pandemia e possíveis soluções para enfrentar a problemática no futuro. O diálogo aconteceu no webinar “International Trade: Challenges and Actions after the Pandemic”, transmitido no canal do IBRAF no YouTube na última quinta-feira (11 de junho)

O encontro contou com a participação de Albert Muchanga, Comissário para o Comércio e Indústria da União Africana; Yonov Frederick Agah, Diretor-Geral Adjunto da Organização Mundial do Comércio (OMC); e Rubens Ricupero, Ex-Ministro das Finanças do Brasil. O diálogo teve moderação de João Bosco Monte, Presidente do Instituto Brasil África.

Para Albert Muchanga, a pandemia já está afetando de forma severa as economias ao redor do mundo. Com fronteiras fechadas e o mercado mais lento, muitos setores e países enfrentam problemas além dos de saúde. Para ele, um passo importante para superar a crise e se preparar para o futuro está no fortalecimento dos mercados internos.

“O futuro da África, pós-Covid-19, depende em boa parte da Área de Livre Comércio Africana. É uma oportunidade de tornar os pequenos mercados em um grande mercado. O continente tem mais de 1 bilhão de habitantes, números parecidos com os da China e Índia”, disse ele.

Yonov Frederick Agah também vê com bastante preocupação o futuro econômico após a pandemia. Usando como base a análise feita pela OMC em abril, que apontava para o declínio entre 13% e 32% no comércio internacional, ele afirmou que: “Se for de 13%, já será maior que a crise de 2008. Se passar dos 30%, será a maior desde a Grande Depressão, em 1929”.

Para ele, é importante que os governos sejam “market friendly”, ou seja, que consigam ter parcerias com organizações do setor privado. “Nenhum país crescerá se seu quadro de políticas mudar a cada 10 anos”, salientou.

Rubens Ricupero ressaltou que “alguns setores serão particularmente afetados mesmo após a pandemia, como companhias aéreas, hotelaria e, principalmente, o turismo em geral sofrerão muito”.

Segundo ele, no entanto, a pandemia também apresenta uma tendência do surgimento de cadeias de produção que sejam, de fato, globais e que existe espaço para negociação nesse sentido. Ricupero lembra que muitos países têm sofrido com a dificuldades de importação e que, no futuro, busquem caminhar para um estágio de menor dependência, mas gerenciado de forma cautelosa.

O professor João Bosco Monte destacou o papel que a cooperação internacional e a transferência de conhecimento desempenham no desenvolvimento social de uma país. Ele lembrou do caso do Brasil, que ao longo das últimas décadas saiu de uma posição de importador para exportador de commodities agrícolas, caso que pode servir de modelo para o desenvolvimento da agricultura na África.