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Necessidade de produção local de alimentos foi principal pauta de webinar do IBRAF

“Nós não podemos confiar apenas nos grandes mercados globais e nas commodities”. Essa foi uma das falas de José Graziano da Silva, ex-Diretor Geral da FAO, durante webinar realizado pelo Instituto Brasil África (IBRAF) na última sexta-feira, dia 24 de abril. A defesa por modelos de produção locais foi a principal abordagem dos participantes.

Além de Graziano, participaram do diálogo Jean Pierre Senghor, Secretário Executivo do Conselho Nacional de Segurança Alimentar do Senegal; Hippolyte Fofack, Economista-Chefe do Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank); e Christopher Till, Fundador e Diretor do Museu do Apartheid. O encontro foi mediado pelo professor João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil África.

Para Fofack, o desafio atual é garantir a entrega de alimentos para todos. Com muitos países se fechando, o mercado global tem sentido os impactos. “Falar de crise não é olhar para o futuro. Isso já está acontecendo agora. A crise tem exposto as falhas no atual modelo de importação de alimentos”, afirmou ele.

Till também destacou que o problema não é apenas a quantidade de alimentos que é produzida, mas como ela é distribuída.  “A situação nos mostrou que é importante que se produza alimentos localmente e, principalmente, que se estimule que os jovens aprendam sobre os processos de produção”, argumentou.

Já Senghor frisou a importância da cooperação internacional para esse momento. Segundo ele, o Brasil, por exemplo, tem o que ensinar para a África, principalmente quanto à produção de alimentos.  “O que estamos fazendo aqui é ajudar as pessoas a serem capazes de produzir.  Não seremos capazes de alcançar um estágio de produção de alimentos se não investirmos em pesquisa e aprendizado”, explicou.

O presidente do IBRAF, professor João Bosco Monte, acompanhou Senghor ao contextualizar que “o Brasil, ao longo dos últimos 40 anos, saiu da posição de um importador para ser um país exportador de alimentos, e isso pode servir de modelo para a África. Não podemos esperar até amanhã quando as pessoas sentem fome hoje”.

O IBRAF e o Conselho de Segurança Alimentar do Senegal, inclusive, estão juntos no desenvolvimento de um treinamento de jovens do país africano com técnicas agrícolas praticadas no Brasil. Em 2020, o Youth Technical Training Program (YTTP), programa de capacitação da juventude criado pelo Instituto, vai realizar duas turmas com jovens senegaleses.

Finalizando o diálogo, José Graziano refletiu sobre os ensinamentos que a atual realidade pode deixar para o futuro. “Precisamos aproveitar esse momento, que estamos todos em nossas casas, para construir um circuito local de produção e consumo de alimentos. Este é o momento para pensar em soluções que vão ser duradouras”, finalizou.

O diálogo completo pode ser assistido no canal do Brazil Africa Institute no YouTube.